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Sabor agridoce

por RG, em 01.12.11

  Um dia a minha vida foi presenteada com uma sobremesa. 

  Não era uma sobremesa qualquer. Era uma novidade, algo que não conhecia, e que chamou-me a atenção.

  Ao principio, foi mais a curiosidade. Ela tinha bom aspecto, parecia apelativa, e tinha um ne sais pas de quoi que me seduziu. Aos poucos e poucos, foi crescendo o desejo. De mansinho, a gula de querer provar tão bela sobremesa, foi-me percorrendo a alma. Devia ou não, entregar-me, sem olhar a calorias? Aquela sobremesa prometia.

  E correspondeu.

 

  Esta não era de facto uma sobremesa qualquer. Era saborosa, profunda, fascinante. Apaixonante. Deu-me prazer...proporcionou-me prazer. Uma sobremesa digna dos Deuses. Porque era uma sobremesa honesta. Feita com carinho e amor. E quando assim é, pensamos que encontrámos o Céu na Terra. 

  O tempo foi passando, e aquela delícia singular, tornou-se a minha única, e predilecta, sobremesa. Era a relação perfeita.


  Mas a vida por vezes, não é dada a perfeições. Tem os seus próprios caprichos. Com o desenrolar dos meses seguintes, aquela sobremesa já não parecia bem a mesma. Seria que tinha ingredientes diferentes? Não, eram os mesmos de sempre. O meu paladar é que não tinha detectado um ou sabor antes, menos doce, de tão entusiasmado que estava. Porventura já não tinha a mesma doçura? O mesmo sabor agradável? Tinha, mas algo mudou. Talvez o meu gosto é que tenha ficado diferente. Talvez a consciência de que, a honra e o privilégio de saborear aquela sobremesa, tinha um período próprio. Que passado esse período, corria o risco de não olhá-la com os mesmos olhos, de "enjoar", e de não lhe dar o devido, e merecido reconhecimento.

  Era altura de nos separarmos. De chegar ao fim da relação.


  Como é natural, mesmo sabendo que estamos a fazer o melhor, ou pelo menos, pensando e acreditando, que estamos a fazer o melhor, não quer dizer que seja fácil. Fica sempre a ideia, que se pode fazer mais um esforço para prolongar e reavivar o prazer, apesar dos contras que isso implica. Fica um estranho aperto no estômago (ou será no coração?), acompanhado de um amargo de boca.

  Mas fica também o respeito por tão doce sobremesa. Assim como a amizade, a saudade dos bons momentos passados com ela, e a certeza que sempre, mas sempre, a respeitei, e a respeitarei...

 

  Um beijo grato para a "minha sobremesa Santini".

 

RG

 

  

   

 

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