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Pensamentos I

por RG, em 22.03.05
Quando procuramos descobrir o melhor nos outros, de alguma forma mostramos o melhor que existe em nós.
- William Arthur Ward

Faz uma pergunta e serás um tolo por 3 minutos; não faças a pergunta e serás um tolo para o resto da vida.
- Provérbio chinês

Já não me preocupo em ser um conversador brilhante. Apenas tento ser um bom ouvinte. Já reparei que as pessoas que usualmente fazem isso são bem-vindas a onde quer que vão.
- Frank Bettger

Não é o que tu tens, ou o que tu és, ou onde estás, ou o que estás a fazer que te faz feliz ou infeliz. É o que tu pensas sobre isso.
- Dale Carnegie


RG

Pensamentos

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publicado às 20:34

A Emoção

por RG, em 22.03.05
Haverá maior emoção do que andar nos nossos transportes públicos? Senão vejamos. No caso em particular, vamos abordar esse grande autocarro que faz a carreira de Damaia-Stª Apolónia e vice-versa, o 46. Ponto de partida, Sete-Rios. A adrenalina sobe após uns 8/15 minutos de espera. Na altura do embarque, para além de haver sempre uma velhinha a atrapalhar, pois quer sair pela frente com meia dúzia de sacos enormes, aparece normalmente o “passageiro-mágico”. Mágico porque vindo não se sabe de onde, consegue com um passe de magia, passar à frente de toda a fila e ser o 1º a entrar, o que arranca sempre uns reconhecedores «olha, olha, o artista». Finalmente lá dentro. Há que ultrapassar aquela zona de convívio social, situada entre o motorista e a 1ª porta de saída. Zona essa povoada de mais velhinhas que debatem geralmente, quem deve ou não ocupar os melhores lugares da viatura, os reservados.«Mas ninguém vê que o Sr. é cego?» ou «deixem sentar a Sra. que tá grávida.» ou ainda «já não há respeito para com os mais velhos, até olham para o lado, para fingirem que não vêm.», são argumentos de peso para a decisão final. Ainda nessa área encontram-se aqueles passageiros, que não conseguindo arranjar lugar sentados, à frente, asseguram a sua calma saída dali a 9 paragens, estancando à frente da referida 1ª porta de saída. Ora todos os outros que sejam claramente anti-sociais, e que não gostam de aglomerados ou de "roças-roças" (porque também há quem ande de transporte público só para isso) tentam furar para a parte de trás, não tão animada é um facto, mas um pouco mais “arejada” para compensar. Mas em hora de ponta não há nada a fazer, o autocarro enche e enche bem. De tal forma que já nem cabe mais uma mosca, mas há sempre uma Sra. de forte corpulência a empurrar na entrada e a dizer «Vamos a chegar lá pra trás que ainda há muito espaço e há ainda muita gente pra entrar!». O que é mentira, pois nem há mais espaço, nem tão pouco mais alguém arriscaria a entrar para ficar espalmado entre essa “farta” senhora e a porta. Arranca o veículo. É claro que há umas insignificantes discussões pelo meio, do género «estamos todos aqui a assar e a respirar os micróbios uns dos outros, mas ninguém abre uma janela, arre!» ou «fechem as janelas porque tá a chover cá dentro!». Mas tirando isso, e o sempre “agradável” odor que paira no ar derivado de determinados odores corporais, a viagem lá segue. Ora então surge a parte radical, aquela que vale mesmo a pena. Como o 46 é equipado com “excelentes” amortecedores e como as estradas são aqueles “queijos suíços” que toda a gente sabe, é só o motorista apanhar umas rectas valentes entre cada paragem, para ver tudo o que é pessoal a saltar, quer estejam de pé ou sentados. É a loucura, pura adrenalina. Pessoas quase a bater com a cabeça no tecto ou no corrimão mais próximo, pessoas quase a saltar para o colo dos vizinhos, pessoas que não têm onde se agarrar a puxarem pelo que estiver mais à mão da pessoa ao lado, enfim é o extase. Surpreendentemente há sempre quem não fique satisfeito com tamanha emoção e solte um «mas o motorista tá bêbado?» ou «deve tar atrasado para ir render, e nós é que pagamos!». É mesmo impossível agradar a gregos e troianos. Na hora da saída, mais uns apertos para passar as tais pessoas estancadas, para não pisar os delicados pezinhos das referidas. Cá fora, respira-se um outro ar, poluído na mesma, mas que deixa recuperar um pouco de tanta emoção junta. Só não percebo como é que há pessoas que preferem ir confortavelmente no seu carro, a curtir a sua musiquinha, sem querer fazer parte desta magnifica experiência que é andar nos transportes públicos. São uns tristes.

RG

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