Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Liberalização dos medicamentos

por RG, em 29.03.05
Parecia inevitável. Depois do conflito entre os medicamentos e os genéricos, surge a batalha entre as farmácias e os estabelecimentos comerciais. E se primeiro eram os super e hipermercados a fincar pé, juntam-se agora, entre outros, as gasolineiras e os restaurantes à adesão do movimento para a venda dos medicamentos. O Governo defende que será benéfico haver esta comercialização fora das farmácias porque permite que os preços dos remédios baixem, sendo que só irá aplicar-se a produtos sem necessidade de receita médica. Ora, então porque não ir mais longe? Porquê não alargar essa venda a todas as superfícies comerciais e prestadoras de serviços? Desta forma seria juntar o útil ao agradável, a poupança ao conveniente. Reparem. No futuro, a D. Joaquina poderia ir à padaria do Tio Manel e pedir as habituais 2 bolinhas e o cacete como também um emplastro leão e uma pomada para os calos. Assim, não só poupava uns trocos na pensão, como escusava de cansar os pezinhos para ir à farmácia que fica a dois quarteirões de casa. Outro exemplo seria imaginar o Sr. Zé na oficina lá do bairro. «Então ó Quintas, a bomba já tá pronta? Afinal porque raio não pegava? e quanto é que me vai ficar a brincadeira?», «Epá ó chefe, isto era mesmo das válvulas, mas agora tá impecável a viatura. E como é pó Xr. faço-lhe um preço de amigos.», Ao que o Sr. Zé aproveitaria para dizer «Ora nem era de se esperar outra coisa, já que sou cliente da casa há montes de tempo. Já agora aproveita e mete aí na factura uma caixinha daqueles comprimidos azuis pa arrebitar a “ferramenta”, que hoje tenho uma reunião importante com a minha secretária, eheh.». A vida seria pois muito mais fácil. Um casal, ao jantar num restaurante, poderia aproveitar de outra forma, a altura de pedir a sobremesa. O marido pedia um doce d'avó e uma embalagem de preservativos, enquanto que a mulher para não ficar atrás, pedia só um cafézinho e uma caixa de aspirinas para as dores de cabeça que de súbito lhe atacaram. E que jeito não daria às pessoas, poder comprar um xarope para a tosse enquanto se aluga um filme no videoclube?? Com um pouco de sorte, já enchia o cartão dos pontos, e podia trazer outro filme à borla ou em opção um pacote de pensos rápidos. Para os fármacos não ficarem muito prejudicados, passariam igualmente a poder vender produtos de outra gama. Assim, a D. Almerinda podia aproveitar e comprar não só um frasco de água oxigenada, como uma raspadinha e um rolo de papel higiénico de uma assentada só.

RG

Aspirina com Rum-Cola, comprados no LUX

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:44


Onde o concreto e o abstrato se encontram.

Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Março 2005

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031



Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2007
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2006
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2005
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D