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Natureza humana

por RG, em 02.08.05
Será que descendemos realmente do macaco ou da…hiena?

Se há algum animal que é capaz de se rir da desgraça alheia é o Homem. E nem me refiro às anedotas, que se inventam 1 ou 2 dias depois de ter ocorrido alguma catástrofe ou tragédia em grande escala e que envolva mortos e feridos, como o “desabamento da ponte de Entre-os-Rios”, o “atentado de 11 de Setembro”, a “morte da princesa Diana”, ou o facto de “Porto e Sporting terem ficado atrás do Glorioso na ultima temporada”.

Falo antes, do gozo natural com que se aborda a deficiência das pessoas.

E começa logo quando somos novos, onde supostamente só há espaço para a “inocência” e a “verdade”. Aí começam a separação das águas. A criança que por exemplo for mais anafada, ou tiver problemas de vista, ou seja avantajada em termos de altura, é logo carinhosamente rotulada pelos colegas/amigos de o gordo, o caixa-de-óculos, a girafa.
Com o decorrer do tempo, e saltando a parte dos professores serem também alvo de mil e uma alcunhas, as pessoas começam a aprender a camuflar melhor este instinto gozão. Principalmente por uma questão de conveniência.
Afinal, gordos, caixas-de-óculos e girafas continuam a existir em adultos, só que podem ser presentemente os seus chefes, ou pais da/o respectiva/o mais que tudo.

Mas achar graça do mal dos outros é, como o lado negro da Força na Guerra das Estrelas, muito difícil de resistir.
E quando as pessoas estão reunidas em grupo, costuma acontecer um fenómeno que se poderia chamar “o arrastão do gozo”. Ou seja, basta imaginar por exemplo um grupo de amigos num bar ou discoteca. De repente entra um rapaz de muletas. Se calhar num primeiro momento, os elementos do grupo até comentam «Ah, coitado do rapaz, o que será que lhe aconteceu para estar assim? deve ter sido acidente.», espalhando-se assim uns pelos outros, uma ideia de compreensão ou pena em relação ao tal rapaz. Mas basta alguém soltar uma piadinha do estilo «Bem, este até todo partido vem abanar as muletas.» para rapidamente surgir uma onda de ironia em torno do referido rapaz, que se alastra rapidamente, e em que todos se riem, sem qualquer preocupação em relação aos sentimentos do visado.

Há frequentemente, um conflito interno em cada um de nós. A luta, entre o respeitar ou o rir de certas características físicas ou mentais, de com quem nos cruzamos pela vida fora.

E se normalmente aproveita-se uma deficiência, para gozar ou ofender uma pessoa que não gostamos ou com quem estamos chateados, ficamos tristes ou constrangidos quando de igual forma alguém comenta uma deficiência de uma pessoa nossa amiga.
Aí já não gostamos que a tratem-na por o zarolho só porque não tem um olho, ou por faltar uma mão, ser o maneta, ou então, por não ter inclusive um punho ser o…enfim.

RG


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